"O caso da Rua Cinco"



1.


Uma nuvem espessa... Um cheiro acre misturado com perfume Chanel.
Esse era o odor e a visão que se tinha do quarto fechado e na penumbra quebrada apenas pela luminosidade de uma luminária de quinta.
Eu havia renunciado a tudo, ou quase tudo, pra poder seguir o caminho que me atraía. Apenas mantive intacto meu gosto por perfumes caros  e bons restaurantes.
Há dias, eu não saía pra nada. Estava no quinto cigarro em menos de hora e meia e tudo que tinha era um emaranhado de pistas que se muitas vezes parecia não levá-la a nada, noutras eram mais do que pequenas coincidências.
Mas eu sabia que tinha algo de obscuro em tudo aquilo. Excitada e assustada era como me sentia...
Por que as coisas tinham que ser assim? Todos poderiam estar felizes e eu não precisaria ter renunciado a parte daquilo que amava simplesmente por seguir o caminho lhe era mais atraente. “Filha minha nunca será uma reles investigadora”. Vociferava ele aos quatro ventos.
Eu gostava do inusitado, do obscuro e sentia um prazer absurdo em decifrar problemas e enigmas.  Nunca fui considerada uma criança normal, nem tampouco uma adolescente normal. Via e lia romances policiais, era fascinada pelos grandes escritores e se pudesse, teria decifrado todos os filmes de suspense da prateleira locadora de vídeos.

- Chega de devaneios menina. Volte pra terra!

Caminho até o pequeno móvel que eu chamava de fogão, pego um café e acendo mais um cigarro.

– Puxa, tenho que largar esse vício! Resolução nº. 1.516 para o próximo ano.

Sento novamente em frente as minhas anotações. Que ou quem será que me guiou até aquele beco numa noite tão confusa? Ok, eu mesmo!
Malditas tequilas, porque não me dei por feliz em aceitar que cinco era um número bem bom de doses para que eu ficasse bem e sem dar vexames? Não, mas eu quis mais...

-Sim, foi “José” que me fez seguir aquele homem estranho.

Pego mais um café e me sento em frente ao laptop. Tinha feito algumas anotações, ocultando claro o real motivo da minha entrada naquele lugar escuro. Aquela era uma parte da cidade que mocinhas indefesas não freqüentariam, mas ela e sua inseparável Berenice, abrindo a gaveta do móvel olhando de esguelha uma Colt M1911, semi-automática, nunca teriam esse problema.  
Tinha visto tão pouco naquela noite, uma garoa fina caía apenas para atrapalhar tudo e lhe molhar os cabelos escovados. Ok, uma sensação bem fútil se apoderava de mim quando algo me incomodava.
Concentração era o que precisava!

Continua...

3 comentários:

Angelo disse...

Uau!

Gostei muito dos detalhes, da resolução haha... Gostei das entrelinhas.

Of course, um comentário!

Nem precisava, né? Mas já que vc ...

Bom, tá ai!

Lindo Robs, minha escritora favorita! :)

Viviane Freitas disse...

Gostei muito, Robs!
Já vi que vou virar fã da sua personagem.
Adorei a "Berenice" :)

Continue, quero saber mais!

Beijo

Camila Dantas disse...

nossa, vc escreve muuuito bem!!! demorei a vir pq passei diiias sem net,
continua aí pra gente!!!
tb adorei o sobre as rosas aí embaixo!!!
bjs

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